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8 de março de 2014
Quem corre por gosto não cansa - Viver (em) Angola #4
Voltei, estou inteira e sobrevivi à primeira semana de trabalho em Angola!
Dizia eu no Domingo passado : "Organizando bem o tempo, durante a hora de almoço consigo dar um pulinho ao blog". MENTIRA!
A verdade é que mesmo durante a hora de almoço eu precisava de ser um polvo e ter 8 braços para conseguir fazer tudo, e mesmo assim não iria ter tempo para o blog.
Isto tudo para vos dizer que estou a trabalhar como Responsável Administrativa numa multinacional, tenho trabalho até às orelhas, mas adoro o que estou a fazer. E é tão bom quando gostamos do nosso trabalho! Quando olho para o relógio já são 17h30 e tenho de me fazer ao trânsito, depois é chegar a casa perto das 19h, ainda fazer jantar, e preparar o dia seguinte porque o despertador não perdoa e toca às 5h45. Sim, leram bem, 5h45. E eu que adoro acordar cedo...Mas quem corre por gosto não cansa.
Para já a maior dificuldade está em memorizar os nomes dos colegas de trabalho. Vocês não imaginam a sorte que é trabalharem numa empresa onde os vossos colegas são o João, a Maria, o António... No meu caso, os nomes variam entre Mohamad, Mohamed, Mohamoud. No entanto, tem sido uma experiência muito enriquecedora a nível cultural, porque se estar em Angola já é por si só uma aprendizagem, estar em Angola e trabalhar numa empresa libanesa, com colegas libaneses e indianos, é em dose dupla.
Vamos agora à parte brutal do meu trabalho (não que as outras não sejam, mas esta é mesmo mesmo mesmo brutal): além de todo o trabalho de escritório, as minhas funções incluem ainda garantir que está tudo a funcionar correctamente nas lojas da empresa...lojas estas que eu visito regularmente, e que vendem nada mais nada menos que cosméticos! Ontem voltei para casa com uma espuma de banho de amora e um saco de praia como ofertas. Também existe uma pastelaria, mas não a quero/posso visitar tantas vezes, fui lá ontem só testar a qualidade dos croissants.
E é isto...um ritmo alucinante mas estou satisfeita da vida.
P.S.: Queria ter feito um post sobre os vestidos dos Óscares para (não) ser original, mas se calhar já vou atrasada não é?
3 de março de 2014
Conclusão do dia de hoje: basta querer! - Viver (em) Angola #3
Depois de um primeiro dia de trabalho, em que 3 horas foram passadas no trânsito de Luanda, chego à conclusão que aqui tudo se baseia naquela mítica frase "O Natal é quando o Homem quiser."
- A estrada tem quantas faixas o Homem quiser (o mínimo que vi hoje foram quatro, mas acho que o tracejado só permitia duas);
- Os carros e motas levam quantas pessoas o Homem quiser (é quantas couberem, a capacidade do veículo é só um número pouco importante, arrumado cabe tudo e mais alguma coisa);
- Os veículos circulam por onde o Homem quiser (terra, água, em contra-mão...vale tudo).
Aqui é assim, basta querer!
Por hoje é só, tenho de ir esticar os pezinhos no sofá que isto de trabalhar em cima de saltos altos é tarefa árdua. Amanhã é outro dia (feriadoooooooo!), e fica prometido um post mais detalhado, ou que satisfaça melhor a vossa curiosidade.
25 de fevereiro de 2014
A melhor foto que já me tiraram até hoje - Viver (em) Angola #2
Depois de vos ter dado uma
pequena ideia dos antecedentes da minha viagem (ver aqui), saltamos agora para
a chegada a Angola.
No avião não se passou nada de extraordinário, se bem
que eu fico sempre fascinada com a forma teatral como as hospedeiras demonstram
os procedimentos de segurança (se o avião cair com certeza que me irei
recordar de fazer um sorriso Colgate como o delas enquanto coloco a máscara de
oxigénio).
A diversão estava toda guardada
para a chegada ao Aeroporto de Luanda…Aterragem, palminhas, encontrões para
tirar as malas de mão e aí vamos nós para a fila do controlo de emigração.
A fila
estava a andar a uma velocidade razoável, eu já me tinha posto descapotável
(estavam uns 40 graus e eram 4 da manhã), documentos preparados e…chegou a
minha vez! A partir daqui torna-se um
bocadinho difícil contar o desenrolar dos acontecimentos visto que eu apaguei.
Sim, apaguei. Mas calma, eu escolhi o momento
certo para o fazer. Ora ao fim de várias perguntas e confirmação de dados, o Sr.º Fiscal
pede-me que dê dois passos atrás para tirar o registo fotográfico, aí lembro-me
de lhe ter balbuciado algo como “Não me estou a sentir bem…” (o que minha
cabeça soou como aquelas vozes distorcidas e em câmara lenta dos filmes), e puf…
desmaiei. Sim, desmaiei exatamente quando ele disparou a espécie de flash
daquela geringonça (eu disse que tinha escolhido o momento certo). Acredito que tenha ficado algo parecido com a imagem abaixo, infelizmente não pude ficar com a fotografia original para recordação.
Conclusão: Tenho um sentido de
timming fantástico e à pala disso tiraram-me uma foto digna da capa de qualquer
revista, e de que todo o staff do aeroporto se ficou a rir com certeza.
Aguardem pelo próximo episódio.
22 de fevereiro de 2014
Viver (em) Angola #1
Bom, parece que (infelizmente) fui mais um dos casos de emigração do nosso país. E digo infelizmente não porque não gosto disto (aprendi a gostar), mas porque é realmente triste ser praticamente obrigada a sair do meu país para conseguir uma carreira depois de ter estudado 15 anos.
Lamentações e crise portuguesa à parte, estou em Angola... e a aventura começa bem antes de se entrar no avião, passo a explicar porquê:
- Primeiro contas à tua família que decidiste ir viver para Angola, e ouves "Mas tens lá trabalho de certeza?", "Então e onde é que vais viver?", "Mas é seguro?", "Um dia mandam de lá os portugueses todos embora à catanada!", "Pensa bem nisso."
- Depois contas aos teus amigos que decidiste ir viver para Angola, e aí já é do género "Tu és maluca! Fogo, não era eu!", "Mas tens a certeza?".
- Ultrapassadas todas estas questões, a decisão está tomada, e vais à consulta do viajante. Aí levas 5 vacinas num dia e o seguinte discurso (isto é apenas um excerto, o discurso integral é demasiado agressivo) : "A malária existe, a malária mata. O dengue existe, o dengue mata (...) Andar de manga curta depois do pôr do sol é para gente estúpida, é a pior hora para os mosquitos. Tomar banho de boca fechada, lavar os dentes só com água engarrafada. Não se come saladas, nem ovos, nem fruta, nem marisco. Carne e peixe só bem cozinhados.".
Confesso que nesta última fase pensei duas vezes, mas não recuei na decisão. E hoje quero exactamente começar a escrever sobre Angola para desmistificar muitas destas coisas.
É tudo uma questão de hábito e o segredo está em não fazer comparações: Portugal é Portugal e Angola é Angola. São países completamente diferentes, desde a cultura, ao estilo e nível de vida, ao clima...tudo. Temos em comum a língua, o que facilita claro, mas nada mais. Não podemos esperar ter aqui o mesmo estilo e nível de vida que em Portugal.
E foi assim que aprendi a gostar, foi a ver e viver Angola como é, e não com base nas comparações com Portugal.
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